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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Aguarela

Queremos mundos e fundos,
Queremos novos segundos,
Queremos gente no nosso coração.
Como entes queridos,
Não queremos estar perdidos,
Digo antes adeus à solidão.
Queremos vida em azul e verde
Como forte aguarela,
Onde é apenas céu e terra.
Qeremos vida proclamada,´
Queremos dizer adeus à mágoa,
Ser libertados destas rédeas.
Onde o mundo se confunde,
Queremos acender o lume
E esquecer todo o mal.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dia da Criança

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos.
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.
Alberto Caeiro

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Gato que brincas na rua

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não quero parar

Porque os sentimentos são intensos
E amar também é assumir os erros
Porque quando se ama,
A verdade não dói
E o que se constrói
Exige coragem
Não me largues da mão
Não quero parar
O resto é paisagem
E eu não vou voltar atrás.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Solero

Acordo sem horas
Havaianas nos dedos
O Sol brilha lá fora
Eu tive o mundo cá dentro
E assim sou feliz.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Grandes Poetas (homenagem)

Foste Homem, foste Poeta
Foste gente de grande honra
Pois enquanto foste poeta
Não trocaste a poesia por prosa

Homem do concretismo
Fizeste ver o real
Mostraste sem truques, sem esquemas
A tua visão global

Vives das figuras de estilo
Sempre trabalhaste para a cor
Defensor do impressionismo
Da realidade foste escritor

Não entendo como não te reconheceram
Com tanta genialidade
Foste outrora marginalizado
Mas vives na actualidade

Nestes dias me recosto
Teus poemas me regalam ler
Pois não há maior verdade
Que a de Cesário Verde

Outro Homem te chamou mestre
E em diversas personalidades
Ensaios para ti foram escritos
E todos são pura verdade

A este outro chamo eu mestre
Pois tudo nele me fascina
Os versos em rima prosada
São razão da minha escrita

Para mim não houve melhor escritor
Este é o alvo da minha lisonja
Sobreviveu durante os tempos
Ou não fosse Fernando Pessoa

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Too tired to care and I gotta go

Dias, noites
Só tempo perdido
E as horas que correm
Já não fazem sentido...
Encontros perdidos
Marcados do nada
Tentaste, fizeste
Mas só fiquei humilhada.
Sorrisos forçados
Sensação de vazio
Diálogos são escassos
Salva-se o riso...
Quero o que tive
Não me tires o que já não tenho
Pois conter-me, contive-me
Mas já não me contenho.
As lágrimas já caem
Sei que tentas secá-las
Quando o segredo reside
Nas memórias guardadas.
Momentos passados
Dois meses e pouco
Sempre lembrados
Mas já me soam a oco.
Não me deixes esquecer,
Não apagues o passado
Deixa-o correr
Ainda que seja errado.
Tentativa de bem?
Sabes que já é utopia
Estranho é como tudo mudou
Apenas sessenta e três dias.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

We have no time to stand and stare

What is this life if, full of care,
We have no time to stand and stare?
No time to stand beneath the boughs
And stare as long as sheep or cows.
No time to see, when woods we pass,
Where squirrels hide their nuts in grass.
No time to see, in broad daylight,
Streams full of stars, like skies at night.
No time to turn at Beauty's glance,
And watch her feet, how they can dance.
No time to wait 'till her mouth can
Enrich that smile her eyes began.
A poor life this if, full of care,
We have no time to stand and stare.

E no final disto tudo apenas me apetece um Magnum caramel & nuts.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sentes e desmentes

As marcas ficaram
Sinto-as presas em mim
E sinto-as a cada dia que passa
Num defeito de vazio
Que aparece e me trespassa
E já só sinto que não sinto...
Levaste-me no erro das palavras
Levaste-me a errar
Fizeste-me sentir o que não fiz
Fartei-me de tentar...
Imperfeição total,
Inteira,
Já não a sinto bem real
Falta a verdade pura
Falta a memória
Faltas tu em meu lugar
E falta o passado que se foi
E não voltou até então.
Errei contigo,
Voltava a errar
Não me culpes é a mim
Tu levaste-me a tentar...

Sempre tua.