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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Voa cinzento, voa

Tantos dias, tantas cores, tanto tempo passado. Tanto Sol a entrar pela janela nas manhãs já tardias. O relógio perdido com medo de ver as horas passar, as horas escondidas sem que as visse. Naquele momento em que a inspiração se encontra com o desespero e tudo não passa de palavras vazias de conteúdo, mas cheias de falta de sentido. Quero senti-las, quero vê-las, quis voltar a pô-las por escrito. Que mais falta? Falta o dia, falta a noite, falta um teclado já usado. Veio a cor, veio a luz, veio o ontem disfarçado de amanhã e perdi-me noutros dias. Noutros, num qualquer. Imensurável quantidade de emoções, perdi-as de conta. Mas o cinzento, esse voou para longe.

(Peço desculpa a todos por me ter ausentado tanto tempo, e agradeço a todos os que me pediram para voltar. Encontrei o meu Sol.)

sábado, 5 de junho de 2010

Folha de papel

Escrevi-a. Virei-a ao contrário. Dobrei-a em vários quadradinhos. Letras, palavras, espaços em branco. Perdi-me no mundo das frases, dos monstros de três pernas e onde as fadas jantam ao amanhecer. O Sol pôs-se ao início do dia, e a Lua escondeu-se ao início da noite. Os dragões saltitavam pelos vales e os gatos mediam três metros e meio. Os cães tinham asas e as nuvens eram cor-de-rosa, feitas de algodão doce. Dois pés de sapo, cinco pétalas de rosa, e a bruxa criava a sua poção de rejuvenescimento. Ao seu lado a menina tecia. O despertador tocou. Acordei. Costumavam dizer-me que tinha uma grande imaginação, dificuldade a diferenciar a vida à minha volta da vida que dá voltas dentro da minha cabeça.
Afinal para onde foi a infância?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Vida que outrora soube minha

Sabe a pouco. Sonhos infundados, fundamentados, ou sem razão de ser. Sonhos finitos ou infinitos em que já pus um ponto final. Anos que passaram sem que os visse, sorrisos que não apaguei da memória, sensações desvanecidas agora voltadas. Saudades do que veio mas não ficou, saudades do que foi mas não partiu. Mas me partiu. Saudades do que era antes de o ser, e saudades de ser o que já fui. Momentos interligados com o passado, mas com inícios já perdidos, e futuros desconhecidos. Tenho medo de o descobrir. Tenho medo de ver no que tudo dá, pois às vezes o que dá não é nada, e deixa de dar, e só fica vazio. Sabe a pouco. Segundos que pareceram horas, e horas que nada duraram. Momentos evaporados agora voltados com a chuva, outrora partidos com o Sol. Sinto falta. Sabe a pouco. Tentativa de mudança. Vidas novas por descobrir, personalidades novas por viver, todo um rol de repercussões invisíveis, ou nem tanto. Falta a cor. Falta o preenchimento. Sabe a pouco. Tudo sabe a pouco. Eu optei por um novo tinteiro.
(Dedicado a ti.)

sábado, 10 de abril de 2010

13 factos interessantes sobre os sonhos

1. Cinco minutos após acordar, esquecemos 50% dos sonhos; após dez minutos já esquecemos 90%;
2. Pessoas cegas também sonham;
3. Todas as pessoas sonham, a não ser que tenham um qualquer problema neurológico;
4. Apenas sonhamos com pessoas que já vimos na nossa vida;
5. Cerca de 5% das pessoas sonha a preto e branco;
6. As emoções negativas são mais frequentes nos sonhos do que as positivas;
7. Podemos ter de 4 a 7 sonhos por noite;
8. Os animais também sonham;
9. Por vezes incorporamos sensações da realidade (ex.: uma campainha a tocar) nos nossos sonhos;
10. Os homens sonham com mais homens do que mulheres, enquanto as mulheres sonham em equilíbrio;
11. Quase toda a gente já sonhou com déjà vus;
12. Enquanto ressonarmos não sonhamos;
13. É possível ter orgasmos a sonhar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Nova terra

Alguma vez sentiram que não se enquadravam em determinado lugar? Que todos à vossa volta eram mais ou menos do que vocês? Perdida numa nova terra. Caras de sempre que parecem novas, apenas porque foram envelhecidas pelo tempo. Pessoas que mudam tanto que não as reconhecemos. Obras que são feitas e mandam tudo aquilo de que nos lembramos abaixo. Custa construir novas memórias quando a vontade se restringe aos confins de um quarto, quando nem a temperatura é a mesma a que estamos habituados. Estar num sítio que sentimos não ser o nosso, um sítio onde não queremos estar. Quero o meu bilhete de regresso. Porque agora tenho medo. Porque agora tenho frio.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dia do chocolate

Hoje festeja-se o Dia do Cacau no Brasil, e, como tal, aqui vão uns conselhos:
-Faça um bolo, ataque a embalagem de bombons ou faça uma maratona de tabletes de chocolate;
-Aproveite para perder a cabeça e comprar aquele gelado que tem mais calorias que todas as refeições da semana;
-Quando lhe perguntarem por que não foi à escola ou ao emprego, diga simplesmente que estava ocupado a desfrutar os pequenos prazeres da vida (ou com uma dor de estômago).

Atenção
O Dia do Cacau é só hoje de maneira que qualquer excesso não será tolerado a partir de amanhã, com o risco de deixar de caber naquelas calças de ganga fantásticas.

Para quem não gosta de chocolate
Há um monte de outras coisas doces para comer e fazer!

domingo, 7 de março de 2010

Saudade

A dor do que foi e não vem, a dor do que perdemos sem perceber, e a vontade de que tudo mude mesmo sem sabermos bem como. Mesmo que tudo pareça perdido, ou mesmo que esteja de facto, o que não se perde é a saudade de tudo isso. As memórias ficam, os dias voam, mas os pensamentos mantêm-se, e com eles a esperança do retorno do tudo. O passado dói, a tristeza dói, a ânsia dói, a saudade dói. Mas é a dor da saudade que nos prova que haverá sempre algo por que voltar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carta para quem já não sei

Querido amigo,
Grande foi a surpresa ao ver que me procuraste mesmo sem saberes quem eu sou ou sequer se existo.
Não sei quem tu és ou quem tu foste, onde vives ou viveste, e como tal sigo-te as pisadas não pondo dados meus nesta carta, pois não precisas de saber quem eu sou para me escreveres de volta.
Tal como tu, sou uma pessoa apaixonada pela epistolografia, sinto a necessidade de escrever para todos e para ninguém, sofro daquela vontade sufocante de me expressar por escrito. Uma conversa esquece-se mas uma carta pode ser relida inúmeras vezes, guardada ao longo dos tempos, sobreviver à própria morte passando para as mãos de outrem.
Sinto que o mundo está estragado. A tecnologia afastou as pessoas e não sinto gosto por nada em particular, e tenho de escrever porque niguém fala com ninguém.
Leio cartas de há quatro séculos que foram mantidas na minha família (estarás tu a ler isto daqui a quatro séculos também?), e não as compreendo... Falam de crises emocionais, de romances adolescentes, de amores para toda a vida, e até de cartas a um senhor chamado Pai Natal. Pergunto-me de quem ele terá sido pai pois muita gente falava dele.
E o que é tudo isto afinal? Será que já vivo numa época onde os sentimentos, ou lá como lhes chamam, não chegaram? Será que se perderam com o passar das décadas? Diz-me que há esperança. Por favor, diz-me que há esperança! Pois, caso contrário, sinto que o mundo já morreu... E com ele, eu também.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cai chuva no telhado

Oiço a chuva a cair. Lá fora o dia morto continua a cair. E a chuva. Faz tanto barulho que nem me oiço pensar, e está tão escuro que nem vejo as ideias. Vejo as pessoas a correrem agitadas. Ou pelo menos vejo o vulto delas. É difícil perceber, com esta visão enevoada. Toda a água parece um mar ao contrário que escorre pela minha janela e desagua lá em baixo, sem eu perceber de onde vem. Tantas gotas, tanta água, e tanta frustração estampada na cara de todos, num medo frio de um corpo molhado. Sinto as pessoas a tremerem a cada passo, sinto o frio que emana de nós, sinto o desejo de um abraço que nunca fica preenchido até ir dormir, e que nunca adormece comigo. Sinto as saudades do Sol, as saudades do meu Sol, que vai aparecendo volta e meia no meio destes dias cinzentos, cinzentos como a chuva, e os torna mais quentes. Toleráveis. Mas por enquanto a chuva vai caindo no telhado.

Com tudo isto apenas posso agradecer ao chocolate quente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O mito do escritor romântico

O escritor anseia atingir o infinito mas, como tal é impossível, sente-se sempre insatisfeito. Apresenta-se, geralmente, incompreendido pela sociedade, buscando o isolamento, vítima de um destino que o condena ao martírio.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O que é a poesia? - O Carteiro de Pablo Neruda

Pablo Neruda é um escritor bastante famoso, uma das pessoas nomeadas para o Nobel da Literatura, e que atrai as mulheres devido à sua poesia romântica.
O filme conta a história de um homem que se torna o seu carteiro e que ainda tem muito que aprender sobre a poesia da vida.
Coisas simples como metáforas afiguram-se-lhe imcompreensíveis, e frases como sete línguas verdes de sete cães verdes não faziam sentido na sua cabeça. Pelo menos não até ao dia em que conheceu Beatriz Russo, mulher por quem se apaixonou imediatamente.
É através de versos soltos e brancos, de estrofes indefinidas e de rimas cruzadas que a vai seduzir no intuito de casar com ela, porque tal como ele diz: a poesia pertence a quem precisa dela.
A poesia é algo subjectivo que, segundo Pablo, se torna banal ao ser explicada. O que nos atrai na poesia são os sentimentos que ela nos desperta, mesmo não percebendo integralmente o que significa. A poesia não tem um significado concreto, até porque apenas o autor a sente ao escrever; os outros hão-de interpretá-la de outro modo.
As palavras são armas poderosas que nos atingem no peito e se entrenham na alma, ficando lá por dias ou anos, qual fantasma vagueando pelos corredores do nosso corpo. (Se estivesse aqui o carteiro eu dir-lhe-ia que isto é uma metáfora.)
Aquilo que dedicamos à poesia revela mais sobre quem somos do que uma página de diário e toca mais do que uma carta de amor, pois é a confusão descrita nas linhas escritas que mostra o nosso emaranhado de pensamentos, não obedecendo directamente a um tema, e não seguindo necessariamente um fio condutor.
Como a tia de Beatriz disse: ele atacou-a com as palavras e ela ficou assim. A poesia é mágica e perigosa; tem o poder de mexer connosco. Pode fazer a diferença entre o amor e o ódio, quebrando essa ténua linha que os separa. Simplesmente faz-nos amá-la, e , por conseguinte, amamos a vida perdida nas entrelinhas.